segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Review : Batman - The Telltale Series (PS4)


Algumas franquias são parte integrante da cultura popular em várias partes do mundo, mas poucas são tão relevantes como Batman. Criado por Bob Kane e Bill Finger em 1939, hoje em dia é um ícone tão famoso como o próprio Papai Noel e sempre esteve na vanguarda da evolução dos heróis, sendo um dos primeiros a elaborar o conceito de identidade secreta e sempre esteve presente em pontos críticos de estabelecer o status quo dos quadrinhos e torna-los mais populares, como por exemplo a série dos anos 60 com Adam West ou ainda a premiada série animada de Bruce Timm e Paul Dini nos anos 90.


Porém escrever Batman é sempre um desafio. É um personagem muito complexo, freqüentemente estudado por psiquiatras tanto por sua influencia em crianças quanto por sua história em si. Nos quadrinhos e na série animada ele é estabelecido como um filantrópico e uma pessoa muito empática, alguém que é capaz de se conectar com outras pessoas como ninguém ; mas ao mesmo tempo sua mascara e símbolo aterrorizam os criminosos e foras da lei. Sempre que um autor foge um pouco desta formula e faz um Batman desnecessariamente violento é altamente criticado — exemplos mais recentes disto? All-Stars Batman and Robin por Frank Miller e os o último da trilogia de Christopher Nolan.
Depois do aclamado The Wolf Among Us da linha Vertigo, a DC finalmente decidiu repetir a formula de sucesso e decidiu deixar a cargo da Telltale mais um jogo de adventure,  o primeiro do gênero desde a adaptação de Batman Returns em 1992.

Desde o inicio do desenvolvimento o CEO da Telltales garantiu que tanto Batman quanto Bruce Wayne teriam um tempo de exposição parecido, explorando esta dualidade do personagem e isto é bem visível durante todo o game.

Um grupo de mercenários tenta invadir a prefeitura de Gotham, mas são interceptados pelo Batman e durante o confronto a Mulher-Gato tenta se aproveitar da confusão para roubar um drive com dados encriptados mas o herói consegue recuperá-lo --- bem a tempo de voltar para casa e participar de um evento privado para a candidatura de Harvey Dent para prefeito da cidade contra o atual prefeito, Hamilton Hill. Enquanto Bruce e Harvey estão lidando com a repórter Vicky Vale, o chefão da máfia Carmine Falcone aparece sem ser convidado e em uma reunião a salas fechadas tenta coagir Bruce a formar uma aliança com ele. Após se livrar de Falcone e os convidados da festa começam a ir embora, Alfred entrega para Bruce um recado de Oswald Copplepot, que nesta versão foi um amigo de infância do Bruce, que pede para eles se encontrarem em um parque na cidade. Uma vez lá, Copplepot alerta Bruce que haverá uma ‘revolução’ na cidade.
Até este momento a história é bem ‘padrão’ para Batman, e logo a Telltale decide mexer com um aspecto da franquia pouco explorado: Thomas e Martha Wayne. Sempre colocados em um pedestal, poucos tem a coragem de se perguntar “que tipo de segredos eles levaram para o tumulo?”, “que tipo de legado eles deixaram para o Bruce?” ou “os pecados dos pais são os pecados dos filhos?”. A Telltale não se intimidou e fez experimentos com os mythos do personagem completamente inéditos e o resultado é uma história única e bem-construída.
O roteiro está muito mais refinado do que em TWAU, provavelmente por não ter que mudar a história abruptamente durante o desenvolvimento e eles cumpriram o prometido, não apenas dando exposição similar a Bruce Wayne e para Batman quanto dando opções bem variadas de diálogo: você será um Batman piedoso ou vai usar violência além do necessário contra os bandidos? Muitas destas opções não fazem muita diferença na história, apenas na reação de alguns personagens em certas situações. Há apenas dois momentos em que uma decisão muda o que vem em seguida, mas o desdobramento disto não é tão relevante.


Também há alguns momentos em que o jogador pode decidir ir aos lugares como Bruce ou como Batman. As informações que o jogador consegue como um ou outro mudam porém não tem peso nenhum na história. Ao menos foi uma idéia boa, que nunca havia sido aplicada nos games dele antes. É uma pena que a Telltale não soube aproveitar melhor o conceito ---aliás poucos games com múltiplas possibilidades conseguem fazer isto.


O sistema de luta é aproveitado dos outros games da Telltale, com pequenas diferenças como a barra com o símbolo do Batman , que uma vez cheia o jogador pode realizar um golpe de finalização e acabar com a seqüência de ação.  É algo puramente estético, mas ajuda a construir o clímax da cena. Outra inovação é o fato que o jogador planeja as seqüência antes de começar o ataque: estudando as posições dos capangas, o batcomputador ajuda a determinar as maneiras mais eficientes de acabar com as ameaças. 
Uma novidade é o sistema de investigação. Afinal, o Batman é um dos maiores detetives ficcionais e um dos focos dos quadrinhos então não podia faltar momentos em que Bruce usa lógica e raciocínio para chegar a conclusões. Ao examinar as cenas, o jogador coleta informações e pode conectar as evidencias para recriar a cena. Analisando todos os elementos, Batman então revive os acontecimentos para chegar a novas conclusões e prever quais serão os próximos passos dos seus antagonistas.
Os cenários estão maiores e mais relevantes, como a própria cidade em alguns momentos pode ser um personagem por si só. Gotham sempre foi muito relevante na história de Batman, mas nem sempre roteiristas tem o cuidado de dar a atenção que ela merece.  Além disto a cidade também  contribui para enriquecer a narrativa visual do game, que é uma das características mais fortes da franquia. 
Pode-se até dizer que a cidade é quase um membro do elenco, pois acaba sendo um dos pivôs da história juntamente com Bruce e o antagonista, o misterioso líder de um grupo conhecido como Children of Arkham – que é exclusivo para o jogo.
A engine teve uma atualização para gráficos mais detalhados, uma evolução comparado com TWAU e The Walking Dead. Os modelos e texturas estão muito mais detalhados e o cel shading está cada vez mais eficiente. Em jogos anteriores da companhia o nível de detalhamento era mais simples, mas desta vez não mediram esforços. Infelizmente com isto a versão do Playstation 3 sofre para processar o game, acarretando em slowdowns que atrapalham os momentos de ação e mostra que o título foi desenvolvido para a geração atual dos consoles e computadores pessoais.
Novamente a trilha sonora foi composta pelo fantástico Jared Emerson-Johnson, seguindo o estilo já estabelecido por Shirley Walker, Harvey Cohen e Lolita Ritmanis em Batman the Animated Series,  e por Hans Zimmer nos filmes.
Um ponto do game que teve muitas criticas foi a presença obrigatória do Coringa. Pode ser por causa do filme do Esquadrão Suicida que também foi lançado este ano, ou por causa da grande exposição que o próprio Batman está tendo recentemente, mas foi algo desnecessário e com um design fraco. Ao menos a Telltale aproveitou para usá-lo com um ‘teaser’ para uma possível próxima temporada. Ao menos não foi mais um título recente com a Corte das Corujas.
Telltale Batman é um ótimo titulo do personagem, buscando inspiração em vários aspectos importantes da franquia sem cair nas armadilhas presentes em outros títulos, ao mesmo tempo em que trás um olhar novo e se mantém imprevisível a maior parte do tempo. Há alguns bugs e as escolhas feitas pelos jogadores poderiam ser mais bem exploradas --- que somadas com o fato de só haver um slot para jogos salvos acabam desencorajando os jogadores a rejogar certos trechos para ver as outras opções. Apesar disto, vale a pena conferir.
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